MesaO Desafio das Novas Abordagens da Investigação em Cinema


Ciência e subjetividade: a construção de uma metodologia de análise fílmica.

Alfredo Tunay Colins

Por muito tempo defendeu-se a ideia da obrigatoriedade de uma objetividade e rigor metodológico na investigação científica. A esse respeito Max Weber produziu a obra A objetividade do conhecimento nas ciências sociais para refletir sobre as dificuldades de se produzir ciência sem considerar a subjetividade do investigador. Para Weber, o elemento “pessoal” é o que confere real valor a uma investigação científica. Atualmente prevalece a ideia de que o conhecimento é socialmente construído e, portanto, resulta de uma interpretação. Partindo desse princípio, do conceito de performatividade de gênero de Judith Butler, segundo o qual o gênero é também uma construção social e considerando o filme como meio propagador de discurso social, a subjetividade é algo intrínseco em uma investigação inserida no campo dos Estudos Queer. Esta comunicação tem como objetivo abordar o processo de construção da metodologia aplicada em nossa investigação, calcada na subjetividade do investigador e dos realizadores e obras que são nosso objeto de estudo. Nossa ênfase recai no uso da Etnografia de tela como metodologia de análise fílmica tendo como base a abordagem semiopragmática de Roger Odin. 


Alfredo Taunay Colins atualmente tirando o Doutoramento em Media Artes na Universidade da Beira Interior (UBI). Mestre em Cinema pela UBI e licenciado em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense. É bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) e membro do LabCom, da UBI. Desde o mestrado que desenvolve a sua pesquisa sobre as temáticas de gênero no cinema, com ênfase no Cinema Queer.

A representação feminina nos filmes de comédia romântica norte-americanos dos anos 90.

Karoline Leandro Santos

Sendo o cinema um produto social e cultural que muitas das vezes busca reproduzir a realidade, acaba por refletir em suas produções as relações de poder que existem nas semelhanças ou diferenças sociais, inclusive entre homens e mulheres. Principalmente durante o século passado, a construção das personagens femininas era feita maioritariamente pelo sexo masculino. Assim, existia uma diversidade de perfis criados por diretores e roteiristas, refletindo uma visão de mundo machista e reforçando estereótipos e papéis de gênero, variando de acordo com um espelho do período atual. Ao analisar comédias românticas dos anos 90, a pesquisa busca traçar a representação da mulher nesses filmes, que através da força simbólica exercida pelo cinema, acabou por influenciar toda uma geração.

Karoline Leandro Santos É atualmente mestranda em Cinema na Universidade da Beira Interior (UBI) e licenciada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A sua pesquisa é voltada para o estudo de gênero no cinema, além da representação e participação da mulher dentro e fora da tela. Atualmente estuda a representação das personagens femininas nas comédias românticas norte-americanas dos anos 90 e a influência do poder simbólico na manutenção dos papéis de gênero. 

Gênero e auto representação no cinema experimental e no documentário

Anna Clara da Silva Petracca

O objetivo deste estudo é analisar como a questão do gênero é abordada e transformada através da autorrepresentação, a partir de dois filmes: Elena (Petra Costa, 2012) e Fuses (Carolee Schneemann, 1967). Serão abordadas algumas questões como: de que forma a auto representação pode influenciar na representação da mulher? Quais são as peculiaridades do cinema experimental e do documentário que permitem essa transformação da imagem da mulher?

Anna Petracca é doutoranda em Média Artes na Universidade da Beira Interior e licenciada em Cinema na Universidade Estadual do Paraná (Brasil)

Mesa – O Cinema como Ferramenta

Kaboko: A Utilização de Aspectos da Cultura Popular Brasileira e Técnicas de UX Design no Desenvolvimento de um Videojogo

Breno Ximenes, Gabriel Oliveira, Sergio Filho e Janderson Araujo

A apresentação vai abordar o processo de desenvolvimento de Kaboko, um videojogo cuja temática envolve a cultura popular da região do Nordeste brasileiro. Na narrativa criada, Kaboko é um menino livre e corajoso, sobrevivente em um lugar que o desafia a todo instante. Diante desses obstáculos, ele deve restaurar a ordem do mundo em uma aventura para recuperar as relíquias das caboclas da mata.

Breno Ximenes é Mestrando em Design e Desenvolvimento de Jogos Digitais pela Universidade da Beira Interior. É designer com mais de dez anos de experiência, empreendedor, editor de vídeos, motion graphics, consultor e freelancer. Possui licenciatura em Comunicação Social.

Gabriel Oliveira é Ilustrador e Artista Digital. É especialista em Design de Jogos Digitais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com licenciatura em Design de Produto pela Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Sergio Filho Mestrando em Design e Desenvolvimento de Jogos Digitais pela Universidade da Beira Interior. É game designer e programador, graduado em Engenharia de Software pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com experiência em startup de jogos para educação.

Janderson Araujo é também pós-graduado em Programação para Jogos Digitais pelo Centro Universitário Unichristus, em Fortaleza, e licenciado em Jogos Digitais pela Faculdade Integrada do Ceará.

Novo Cinema Português: Uma abordagem sonora ressignificada

Tiago Jorge Alves Fernandes

Na década de 60, o Novo Cinema Português propôs uma abordagem estética alternativa à linguagem cinematográfica convencional que tinha vigorado até então. Recusando uma representação objetiva da realidade, os filmes inseridos neste movimento de renovação do cinema português, influenciados pelas correntes internacionais do cinema moderno, procuram reinventar, a partir da experimentação, as paisagens visuais e sonoras com uma estratégia de intervenção criativa e subjetiva que, acima de tudo, refletisse o olhar e a escuta do cineasta enquanto autor.
“As Pedras e o Tempo” (1961, Fernando Lopes) e “A cidade” (1968, José Fonseca e Costa) destacam-se de outros filmes turísticos encomendados por órgãos públicos na mesma década (Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo no primeiro caso; Câmara Municipal de Évora e Junta de Turismo de Évora no segundo). Ao contrário da generalidade dos filmes realizados no mesmo contexto de produção, estas duas obras são sobretudo assumidas tentativas de reinventar uma linguagem cinematográfica que se encontrava relativamente formatada e estandardizada pelos paradigmas do mercado, reproduzindo um modelo de narração e de banda sonora acriticamente estabelecido para essa categoria de filmes.
Em relação ao filme “As Pedras e o Tempo”, a partir da música de Filipe de Sousa e dos efeitos sonoros de Alexandre Gonçalves, assistimos a uma banda sonora hibrida com motivos musicais anempáticos em convergência com um desenho de som extremamente criativo. No caso de “A Cidade”, todo este carácter experimental fica bem patente a partir da improvisação musical de Carlos Paredes e do desenho de som de Alexandre Gonçalves, um dos técnicos de som mais relevantes do Novo Cinema Português.
O objetivo desta proposta é partir da análise formal e narrativa destas duas obras para analisar a paisagem sonora da cidade de Évora estabelecida no cinema português na década de 60, particularmente através da reconstrução da paisagem sonora promovida pelo Novo Cinema Português e, num segundo momento, refletir sobre o processo de remapeamento do território nacional através das sonoridades regionais que diversos autores iriam desenvolver nessa década e na seguinte, nomeadamente, através de novas propostas de narrativas documentais.
Palavras-chave: Évora; Cinema: Paisagem; Território; Sonoridades

Tiago Fernandes é docente nos cursos de Cinema da Universidade da Beira Interior, onde desenvolve também o seu projeto de doutoramento em Media-Artes. É diretor de som para cinema e televisão, contando com a participação em várias curtas-metragens, documentários, séries e filmes publicitários para a televisão portuguesa e para Cabo Verde, Brasil e Reino Unido. Escreveu os manuais de som “Áudio para cinema e TV” e “Técnicas de captação de áudio para cinema e TV”, para cursos ministrados no Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação do Brasil. Integra a Comissão Organizadora das Jornadas do Cinema em Português e é membro da AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento e da NECS – European Network for Cinema and Media Studies.

A criatividade em cursos de artes: análise documental em universidades públicas portuguesas

Lilian Débora de Oliveira Barros

Uma das competências transversais atualmente solicitada pela sociedade ao profissional nas diversas áreas de atuação é a criatividade. A partir disso, a investigação pretende analisar como a criatividade é percebida e promovida no ensino superior em Portugal. O trabalho busca compreender o que tem se entendido sobre a criatividade e sua necessidade na formação do estudante universitário nas diversas áreas. Para isso, as questões que permeiam a pesquisa estão direcionadas à valorização da promoção da criatividade no Ensino Superior; aos facilitadores e impedimentos encontrados nessa promoção; bem como às concepções sobre criatividade que têm os docentes e os alunos – entre eles, os do curso de licenciatura em Cinema da Universidade da Beira Interior.  

Doutoranda em Educação pela Universidade da Beira Interior (UBI). Mestrado em Educação Matemática e Tecnológica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Especializada em Uso de Mídias na Educação pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Licenciada em Desenho e Plástica, atual Expressão Gráfica, pela UFPE. É docente da UFRPE, lotada na Unidade Acadêmica de Educação à Distância e Tecnologia, onde ministra disciplinas na área das Artes Visuais Digitais e da Educação Inclusiva. Atuou também na formação de professores para educação à distância da instituição e coordenou o curso de licenciatura em Artes Visuais Digitais. Seus principais temas de pesquisa são: criatividade, tecnologias acessíveis aplicadas ao ensino, artes manuais com papel, ensino das artes digitais e formação de professores para educação à distância.